Olha para a lua com um ar triste, ar de quem perdeu alguém no caminho da sua vida e não o pode recuperar. Sentado olhando o triste e pálido brilho fantasmagórico do astro solitário um palhaço olha para o céu nocturno.
O triste palhaço tem a cara pintada (branco) as sobrancelhas carregadas, não mais conseguiu despir a personagem que vestia todas as noites de espectáculo. O seu fato não era alegre, antes negro como a noite que o cerca. Nunca gostou de fazer rir, principalmente depois de uma pessoa ter morrido nos seus braços.
Mandava lágrimas, desfazendo o branco da sua face; ali, sozinho, sem ninguém a vê-lo, ele contava à lua todos os seus segredos. Haviam dois anos que tinha morto, por acidente uma menina de quem gostava e a sua perda manchava o seu coração com a nódoa mais negra que pode haver. Aquela menina era-lhe muito querida, andava sempre a rir e animava-o nos dias em que não se sentia nada bem para ir actuar. Tinha sempre alguma coisa a dizer e preenchia o vazio do seu coração.
Agora as noites eram mais tristes, mais solitárias.
Ao longe o palhaço ouviu o som de um piano. Quem quer que o tocasse sabia bem o que fazia. A música era triste, sem cor, apenas com lágrimas... Aproximou-se do som e reparou que uma linda mulher de cabelos vermelho-fogo compridos tocava um piano de cauda no meio de uma seara ainda verde. Em cima do piano estava uma vela brilhando no interior de uma estrutura em vidro e ferro. Brilhava como um farol numa noite, iluminando as suaves mãos da rapariga pousando nas teclas brancas e pretas.
"Amo-te" dizia a música. Mas a resposta não se fazia ouvir.
O vento soprou suavemente sobre a seara e ela estremeceu, foi nesse instante que o palhaço entrou para a luz e ela reparou nele.
- É bonita a música. E tu tocas bem.
- Toco como me ensianaram. Estiveste a chorar?
O palhaço virou um pouco a cara para esconder a cara mas ela insistiu - Está tudo bem contigo?
- Sou um palhaço. Ninguém quer saber da minha história, apenas das minhas piadas.
- Eu sou uma pianista. Ninguém quer saber da minha vida, apenas das minhas músicas.
Ambos a seguir choraram lágrimas conjuntas e a noite se pôs...
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1 comment:
pena que a maior parte das lágrimas n seja recebida
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