Monday, December 12, 2005

a minha cabeça não para
os meus olhos fecham-se enquanto a minha língua expele palavras que nunca serão escritas.
tantas palavras para dizer e tão pouco tempo para as escrever.

Tuesday, December 06, 2005

sentem os meus olhos o cansaço dos dias de outono. o cair das folhas repete-se na imagem que me chega ao cérebro. é a paisagem...
o gosto cansado das manhãs imersas na espuma branca seca-me a boca com o compassar das horas no pendulo do meu horário. não tenho pressas, a minha morte já está há muito agendada.
as minhas olheiras de noites passadas a assombrar os meus devaneios sulcam a pele debaixo dos mneus olhos fartos de prantar a distância ao meu sonho.
viajo cada dia por mil lugarejos que não existem. lugares estranhos paisagens dispersas pela minha imaginação que não tem limites.
cada gota de suor liberta de um dos meus poros larga a tensão que em mim se acumula enquanto me deito e tento dormir. não consigo...

a puta da minha insónia cobra-me a cada dia que a vejo uma noite de descanso. os meus olhos fervem de tanto tempo estarem abertos e a minha boca saliva por uma noite de descanso absuluto. todo o meu corpo está tenso, cheio de frio e sem consolo. as portas da casa onde estou batem como metralhadoras enquanto tento dormir. a janela dispara uma luz fortíssima logo pela manhã. o meu despertador toca a todas as horas.
levanto-me e bato uma pívia para me lembrar que ainda estou vivo. bato uma para que encontre o pequeno momento de consolo a que cada pessoa tem no seu dia. pego na minha máquina torturadora e teclo como sempre faço.
o vício de preencher a minha vida de letras ocupa o meu stress diário enquanto tento de alguma forma sobreviver. vendo o que posso e ganho o que ninguém me quer dar. as manhãs são de escrita, as tardes são de escrita, as noites são de uma puta de uma insónia.

os meus dedos calejam de tanto escrever. a sua pele enrigesse enquanto o martelante som do teclado buzina nos meus ouvidos. parece que os meus ouvidos estão mais sensíveis. ouço tudo à minha volta. ouço os vizinhos a gritar, ouço pessoas no quarto de baixo a foder. ouço a varina na rua a gritar "seus paneleiros" por alguma razão que desconheço. ouço a rua cheia de carros, cheia de pessoas, cheia de merdas que não sei o que são.
os pombos na praça enfurecem-me, as pessoas a correr enojam-me, os turistas na rua enchem o meu corpo de pesar e, enquanto isso, eu tento sobreviver neste meu cinzento amanhecer

Wednesday, November 23, 2005

a vida de estudante é assim... uns tempos aulas, outros exames e no meio de tudo encontramos sempre tempo para fazermos o que bem nos apetece.
aqui há dias um amigo meu perguntou-me como é que conseguia ter tempo para tantas coisas, respondi-lhe:
- o meu dia não tem 24 horas, tem 27.

Sunday, September 11, 2005

as minhas palavras são esquecidas, as minhas memórias não registam mais os momentos, a minha vida corre no abismo.
runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out
deixei de ouvir as pessoas na rua, deixei de sonhar com melodias e fantasias, deixei as minhas aspirações para trás do monte.
runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out
ouvi dizer que nada ser para sempre, ouvo dizer que não era mais um sonho, ouvi dizer que era nascido
runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out
caminho para o abismo
runnig out
caminho sem olhar para trás
runnig out
caminho por entre os mortos
runnig out
caminho para nascer
runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out
sempre, sempre mais, eu preciso de mais um esforço para sair... mais uma vez eu corro para tentar daqui escapar, corro sempre para mostrar que sou vivo, corro porque não quero que mais ninguém o faça por mim corro porque tenho medo do meu destino, corro porque não me quero aqui.
runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out
que se faz comigo? que se há-de fazer para sentir-me nascer, que se há-de fazer para que nunca sonhe em sonhar comigo again...
please stop
runnig out
please stop
runnig out runnig out runnig out
no more changes
please stop runnig out
no more fuckin' jokes
I just wanna feel alive
runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out runnig out
go along
não mais te sinto
runnig out
just STOP!!!!!!.....

Monday, August 22, 2005

Fogo

Todo o país arde. Todas as árvores se consomem perante o olhar incrédulo de todos nós. A cinza dos nossos erros cai e não deixa de nos encher de sonhos e quimeras em relação ao futuro.
Olho para o cinzento horizonte. Cinzento. As nuvens mesclam-se com o fumo das fogueiras que esperam o ponto de se extinguirem... Nada mais. Os olhos enchem-se de lágrimas; os nossos terrenos, as nossas casas, as poeiras que nos afectam os olhos... Tudo converge para o nosso olhar pesado.
Imagino a vida daquelas árvores que esperam tão ciosamente o ponto de se consumirem completamente. Imagino a cara de alguns homens que perderam as suas coisas. Não posso deixar de manifestar uma certa revolta por toda a nossa situação catastrófica.

Friday, July 15, 2005

Devo confessar que não esperava encontrar ninguém a esta hora. As horas que passam não deixam marcas na minha cara. Os dias são uma constante imagem refletida de que sou imortal

Monday, July 11, 2005

Balada de um imortal

Sempre em constante andamento a minha vida surge por entre estas árvores. O negros que cantam em torno de um homem morto clamam para que a sua alma repouse em paz.
Nesta enconta isolada paro para ver as pessoas, as coisas, as paisagens. O ambiente é frio e isolado do mundo. A minha imortalidade atormenta cada dia desta minha constante vida. Vejo as pessoas na miséria. Elas lavam-se na suja água que vem das cidades, não sabem que hão-de morrer de alguma doença. As pancadas do sino da igreja bate em sinal de meio-dia. Apercebo-me de que está calor e devo repousar na sombra de alguma árvore; as árvores no entanto estão todas despidas, não existem folhas. Estão mortas. Pergunto que aconteceu naquele lugar e apenas me dizem que fora amaldiçoado. Todas as noite procissões de pessoas fazem romarias até um pequeno altar que têm no cimo da montanha e fazem orações e missas negras para que todos os deuses e mais alguns lhes devolvam a honra de viver dignamente.
As pessoas são sujas, os campos não produzem nada, as pessoas vivem no limite da vida e eu, apesar de ver neles um nojo do citadino que em mim existe, enterneço-me. Pouso as minhas coisas na sombra de um rochedo. A pedra está quente mas mesmo assim dá para repousar à sombra. Os corvos falam mas não se vêm a voar.
Uma mulher passa apressadamente para uma pequena gruta próxima do local onde estou. Averigua se alguém a vê. Apressa-se a entrar. Sigo-a. Nessa caverna existem tochas. Várias pessoas estão lá fazendo ritos demoníacos enquanto uma música infernal vibra de tambores enormes. Os seres que habitam aquelas cavernas parecem cegos. Não devem ver a luz há vários dias. Apercebo-me de que a sua pele está manchada. A rapariga encaminha-se para o centro do que parece uma praça. Traz várias sacas com ela. Ninguém se aproxima. Ela deixa as coisas na praça e apressa-se a sair dali passando a poucos metros de mim.
As pessoas que ali se encontram formam uma sociedade de homens e mulheres que sofre de uma doença. Os constantes bateres de tambores são dos cânticos das pessoas que vão morrendo.
Saio da gruta e percorro a aldeia. Entre várias portas fechadas aparece uma que me acolhe. Entro. Naquela casa pouco se come. Por vezes desencanta-se uma batata ou algo mais; nem para visitas fazem comer, não dá para isso. Para estas pessoas o verão é a pior alturo do ano, os celeiros raramente ficam cheios e as ervas ruins encheram tudo. Há desânimo na cara das pessoas, fome na cara das crinaças.
A minha balada vai seguindo de perto tudo isto sem nada dizer. Choraria se ainda tivesse lágrimas para isso...
Na rua um homem põe-se à bulha com um outro por causa de três bagos de arroz que diz lhe ter tirado. Nesta terra não existe bondade, as pessoas são sovinas e têm razões para isso. Vive-se duramente aqui.