Sempre em constante andamento a minha vida surge por entre estas árvores. O negros que cantam em torno de um homem morto clamam para que a sua alma repouse em paz.
Nesta enconta isolada paro para ver as pessoas, as coisas, as paisagens. O ambiente é frio e isolado do mundo. A minha imortalidade atormenta cada dia desta minha constante vida. Vejo as pessoas na miséria. Elas lavam-se na suja água que vem das cidades, não sabem que hão-de morrer de alguma doença. As pancadas do sino da igreja bate em sinal de meio-dia. Apercebo-me de que está calor e devo repousar na sombra de alguma árvore; as árvores no entanto estão todas despidas, não existem folhas. Estão mortas. Pergunto que aconteceu naquele lugar e apenas me dizem que fora amaldiçoado. Todas as noite procissões de pessoas fazem romarias até um pequeno altar que têm no cimo da montanha e fazem orações e missas negras para que todos os deuses e mais alguns lhes devolvam a honra de viver dignamente.
As pessoas são sujas, os campos não produzem nada, as pessoas vivem no limite da vida e eu, apesar de ver neles um nojo do citadino que em mim existe, enterneço-me. Pouso as minhas coisas na sombra de um rochedo. A pedra está quente mas mesmo assim dá para repousar à sombra. Os corvos falam mas não se vêm a voar.
Uma mulher passa apressadamente para uma pequena gruta próxima do local onde estou. Averigua se alguém a vê. Apressa-se a entrar. Sigo-a. Nessa caverna existem tochas. Várias pessoas estão lá fazendo ritos demoníacos enquanto uma música infernal vibra de tambores enormes. Os seres que habitam aquelas cavernas parecem cegos. Não devem ver a luz há vários dias. Apercebo-me de que a sua pele está manchada. A rapariga encaminha-se para o centro do que parece uma praça. Traz várias sacas com ela. Ninguém se aproxima. Ela deixa as coisas na praça e apressa-se a sair dali passando a poucos metros de mim.
As pessoas que ali se encontram formam uma sociedade de homens e mulheres que sofre de uma doença. Os constantes bateres de tambores são dos cânticos das pessoas que vão morrendo.
Saio da gruta e percorro a aldeia. Entre várias portas fechadas aparece uma que me acolhe. Entro. Naquela casa pouco se come. Por vezes desencanta-se uma batata ou algo mais; nem para visitas fazem comer, não dá para isso. Para estas pessoas o verão é a pior alturo do ano, os celeiros raramente ficam cheios e as ervas ruins encheram tudo. Há desânimo na cara das pessoas, fome na cara das crinaças.
A minha balada vai seguindo de perto tudo isto sem nada dizer. Choraria se ainda tivesse lágrimas para isso...
Na rua um homem põe-se à bulha com um outro por causa de três bagos de arroz que diz lhe ter tirado. Nesta terra não existe bondade, as pessoas são sovinas e têm razões para isso. Vive-se duramente aqui.
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