Tuesday, September 28, 2004

Viajando pela Imortalidade

Nasci num conturbado mês frio, altura em que decorria uma guerra para a qal o meu pai foi forçado a ir. As casas da minha terra eram pobres e as pessoas não sabiam já onde esconder os cadáveres que abundavam na rua como se fosse papéis jogados no chão.
Bailando entre o frio do mundo onde entrava agora e o quente do qual me forçava a sair, fui parido como se um mero dejecto fosse.
A minha mãe nunca me quisera e o meu pai não se encontrava presente para saber as torturas que sofria. Penso agora que ela me alimentava para que quando o meu pai voltasse não lhe batesse como havia feito para que fosse gerado. A minha mãe sempre me detestou porque o meu pai sempre me tivera mais amor que a ela, quando voltava a casa trazia-me sempre um presente...
O tempo foi passando e aquando de um conflito para o qual o meu pai foi enviado, a sua vida se foi...
Chorei bastante naquela altura. Não conseguiria suportar os tormentos que a minha mãe me daria. Assim sendo resolvi sair de casa e procurar um sítio melhor para ficar.
Não precisei de procurar muito pois numa terra próxima andavam à procura de voluntários para ajudar os sacerdotes. Naquela altura as mulheres haviam tido muitos filhos e os sacerdotes dos templos procuravam famílias numerosas para conseguir discípulos. A guerra havia passado e o número de pessoas havia aumentado brutalmente (os homens vinham sedentos de sexo para casa).
Resolvi seguir um desses anciãos e levaram-me para o túmulo. A minha mãe, soube-o mais tarde pensara que eu tinha morrido e nem uma lágrima verteu...
Durante o resto da minha infância, escondido no templo com medo que a minha mãe me descobrisse, encontrei ocupações... fazia-se muito no templo e o trabalho nunca era pouco. Mas com o tempo fui-me habituando e aos 14 anos de idade já era quase um sacerdote. Foi nessa altura que o meu destino me foi revelado pela mão de uma visão. Estando a sonhar vejo uma estatueta. Nunca a tinha visto mas aspirava ficar com ela, mesmo não sendo ela bonita. Este sonho repetiu-se durante semanas
Passado esse tempo fui ter com um ancião e ele explicou-me que para o meu destino se revelar teria de ir em busca da tal estatueta. Perguntei-lhe se saberia onde se encontrava, mas ele disse-me que não sabia. Essa teria de ser uma pesquisa minha.
Sai do templo e vagueio por vários dias por muitas terras. Foi passado um ano do início das minhas pesquisas que descubro onde se encontrava tal artefacto. Dirigi-me até esse local e tento tirar a estátua mas não consigo.
Passo dois dias lá sem comer e passado esse tempo tenho uma visão na qual o espírito da estatueta me diz que se eu quisesse a vida eterna teria de fazer um sacrifício. Teria de me sacrificar para me tornar imortal. Durante bastante tempo pensei se essa visão seria real, mas não me vinha nenhuma resposta. Foi então que um punhal aparece junto à estátua e com ele me sacrifico.

Se escrevo este texto é porque ainda estou vivo...

Sunday, September 26, 2004

Hoje escondi a noite no meu bolso e fui pescar uma lua... as paisagens que me rodeavam eram em tudo arquitectadas pelo construtor do mundo. A minha missão disse-me ele não é trazer alegria mas trazer paz... Foi por isso que decidi roubar toda a escuridão e envolver-me nela e percorrer ruas que nunca pensara percorrer... A lua era minha cumplice mas mesmo assim incomodava... Precisava que se fosse embora. Precisava de estar sozinho.

Foi nessa escuridão que descobri uma pessoa, alguém que nada tinha a dar, uma pobre alma que nada fazia no mundo. Foi uma pessoa a quem trouxe a paz.

Fui deslizando pelas ruas como se fosse um fantasma, assustando... as pessoas com quem me cruzava ficavam mais calmas assim que passava... trazia-lhes a paz. fui eu quem destrui a guerra e fundou em todas as pessoas o sentimento de liberdade... Sou eu mesmo essa pessoa que se esconde atrás das portas e se abriga nos montes esperando que o mundo melhore.


Friday, September 24, 2004

This is not Hollywood...

Thursday, September 23, 2004

A minha crise de identidade começa a arrastar-se... os dias passam e a minha definição como a pessoa que tenho idealizada para mim teimam em chegar. A minha mente encontra-se na borda de um abismo e teima em cair apesar de não deixar.

O teu ego te arrastará

O túnel que avisto é longo demais. Sinto-me derivar por todos os mares num barril esperando o dia em que virá uma onda e me levará.

Sabes não te vais conter... e deitar tudo a perder

A vida que percorro é apenas um indistinto mar de manchas de cor.

Bein' myself (6)

Passo perto do lago onde encontrei a minha paz e o que restou foi apenas um mero contacto com a civilização. As minhas tentativas de isolamento são meras ilusões. O local onde me encontro nada tem de pacífico e a guerra que me envolve torna a minha existência uma mera passagem...
Eu sou um anjo que passa na Terra e que tem uma mensagem; no entanto ninguém está preparado para a ouvir.

Tuesday, September 21, 2004

Ensaio sobre a cegueira

Existem certas coisas no mundo que nunca nos serão dadas a compreender senão quando confrontados com elas. Uma delas é a cegueira. O livro do Saramago trata deste tema de uma forma muito curiosa acerca deste assunto, partindo do princípio que um grupo de pessoas fica cega de um momento para o outro.
É com base nesta ideia que um dia acordei e pensei como seria passar um dia inteiro completamente cego. Este desafio requer alguma coragem, uma vez que, sendo eu estudante, se torna complicado ir às aulas e tomar nota de tudo o que ouvimos. Ainda assim gostaria de fazer a experiência.

Aqui há uns anos tive uma experiência que foi idêntica, vendarem-nos os olhos e tendo um guia percorrer as ruas de Coimbra durante hora e meia. Este curto espaço de tempo deu para ver que quando uma pessoa fica cega, todos os barulhos, sabores e cheiros ficam muito mais desenvolvidos; era como se o nosso corpo estivesse todo alerta, tal como quando vamos a um país desconhecido. O tempo, no entanto, foi muito curto. Deu-nos apenas a ideia de desenvolvimento dos sentidos... mas eu procuro muito mais. Eu procuro os sentimentos e sensações que vêm a seguir, ou seja a frustração e o desespero. O querer fazer coisas e não poder, o querer abrir os olhos para o mundo e não conseguir.

Penso que as pessoas que não nasceram cegas e o ficam de um momento para o outro sofrem muito mais que os cegos de nascença, uma vez que estes não conseguem imaginar um mundo a cores e os outros conseguem. É isso o que quero experimentar.

Desafio qualquer pessoa a aranjar um colega e a deambular pelas ruas da terra onde mora com uma venda nos olhos. Hão-de saber qual é a sensação de não se ter olhos para ver.

Sunday, September 19, 2004

From The Gift... uma banda portuguesa da qual sou fã.


CONCRET
All those concret things like net and hold it
You will like to've spent more time
Now that our days are full
of people and cars and million species
All those concret things

The concret things the trees and days
The look and cook
The object the subject
Why and wether those concret things
So just get away of this time
Feeling the nature, the animals,
The fresh air, the blue sky
Those night lives are really gone

And now hereI am in different
Places with nothing more, nothing more
With air, with food and natural flowers
Waiting and waiting for hours, for those concret things
Sitting and thinking in our problems,
So normal in love or drama, missing the TV near me
Million species, million cars, languid lights like the cinema,
there's more than love, more than that
Working and working for the world of concret


Não parece ser uma mísica tão concreta como a nossa vida?
As coisas simples que nos rodeiam são sempre coisas concretas que tendemos a complicar.. everything is so simple

Cartas de um suicida 2

26 de Agosto


Por onde hei-de começar esta carta…
Ando e ando e não sei mais por onde andar; acredito firmemente na ideia de que entrei num beco do qual não mais posso sair. Agita-se a minha alma porque não sabe mais o que faz, o meu pensamento interrompe-se e as fugazes ideias que surgem na cabeça de uma forma de mudar a minha vida escapam-se como o éter.
Não acredito que possa ser útil ao mundo; o meu nascimento já há muito que deixou de ser motivo de alegria para quem me rodeia: não encontro o MOMENTO de me voltar a encontrar… Busco em vão por uma esperança que há muito me deixou…
Como vim aqui parar?...
Já pensei muitas vezes no que não deveria ter feito para melhorar a minha situação de hoje; sempre que nisto penso vem-me à ideia uma certa tarde quando eu e uns amigos meus andávamos por aí, naquelas ruelas que só pessoas com a nossa idade conhecem tal como as conhecemos (os bófias podem conhecer como a palma das suas mãos, mas o valor que encontram naquela escória é sempre o mesmo: um bairro de droga). O nosso bairro era especial: conhecíamos os locais a evitar porque a certos amigos nossos lhes vimos vender pó. Creio que o meu erro foi ter visto isso…
Como dizia, vagueávamos por entre ruelas e portas por onde se entrava mas não mais se sai… Conhecíamos os cantos à casa; pouco tempo depois da “visão” da realidade que ali nos emergia sabíamos quais eram os melhores, os que tinham problemas com a polícia e os que nos ofereciam a maior segurança de uma colheita sem problemas; nesta altura ainda nenhum do nosso grupo havia sido tocado pela abelha… Foi com o conhecimento da coisa que fomos aos poucos entrando nesse mundo que desconhecíamos e que se nos mostrava repleto de todas as maravilhas… Minto ao dizer isto. Nunca nenhum de nós achou que estaria no paraíso ao consumir, a verdade é que havíamos ouvido falar tanto nas aulas sobre este tema que, dada a nossa idade, mostrámos curiosidade em experimentar, pelo menos uma única vez. Achávamos que experimentando e saindo ileso haveríamos de ser heróis, pelo menos no nosso mundo. Foi a isto que viemos parar…
Toda a gente acha que os drogados entram pelos mesmos motivos; só os principiantes o acham… Destro disto existe uma série de motivos que, alguns dos quais nem sequer imagino.
Eu e mais três gajos cruzámo-nos numa ruela com um gajos que sabíamos ser traficante. O J. falou por todos nós:
«Sabemos que vendes drogas.»
«Vão mas é para o pé das vossas mães…»
«Queríamos experimentar…»
Esta foi a derradeira frase; se não fosse ela o gajo ter-se-ia ido embora e pouco tempo aparecíamos mortos ou qualquer coisa do género; causa de morte: espancamento.
«Que vos mandou vir ter comigo?»
«Ninguém; queríamos experimentar.»
Ele não mudou a sua expressão; para ele era só mais uns quantos caídos numa armadilha e que quando se apercebessem do que havia acontecido com eles já seria tarde para voltar atrás. Levou-nos até um local que lhe servia de refúgio; abriu uma enorme porta que não tinha trinco; só uma fechadura cuja chave ele tinha; quando a porta se fechou percebemos que algo nas nossas vidas se havia transformado: entráramos num local de onde não havia fuga possível.
«E que produto querem?»
«Coca…»
«Tomem uma pequena dose para cada um de vocês. Não vale a pena juntarem-na toda para darem a alguém porque a pessoa que vos pediu não se sentirá satisfeita.»
Compreendi então que o mundo em que estávamos agora a entrar era mais complicado do que imaginava; a verdade é que um amigo que já se havia metido nisso nos havia pedido; mas compreendemos que o nosso passante sabia de quem se tratava. Percebi naquele momento que à medida que se vai entrando cada vez mais fundo, seria cada vez mais difícil sair e cada vez mais difícil saciar o nosso vício; não se comparava a nenhum outro.
Poderíamos ter fugido dali, mas a verdade é que não queríamos transparecer isso. Percebíamos que o sítio onde entráramos nos levaria a algum outro lugar.
Pegámos nas coisas e fugimos dali; sabíamos que não deveríamos ter ido até aquele sítio. Já um pouco afastados rimos como desalmados que nada mais tem a fazer que gozar a vida.
Cada um de nós foi para sua casa com vontade de experimentar; vimo-nos na manha seguinte, mas o J. não tinha vindo; fomos até casa dele e encontrámo-lo deitado na cama com um olho negro e alguns golpes no braço; o mundo que nos começava a cercar era cada vez mais estranho e cheio de perigo; a adrenalina subia em nós a ponto de querermos cada vez mais experimentar.
Durante a noite nenhum de nós tinha experimentado. No dia a seguir o J. veio ter connosco dizendo que tinha experimentado e que tinha sido a melhor sensação. Descreveu-nos o como se sentiu bem, uma coisa que só acontece nos primeiros dias; a partir de então começa a amargar cada vez mais, só que nós não sabíamos. Também nunca soubemos se a descrição que o J. nos fez havia sido real ou não; é que das vezes seguintes ele não foi connosco… Pensámos que nos tinha traído…
Eu ainda não tinha experimentado, também não estava com intenções de experimentar; as descrições deles faziam-me crer que estavam erradas e que eles ainda estavam pedrados.
Um dia, por acaso, tudo mudou. Cheguei a casa e encontrei os meus pais a discutir. Nunca os tinha visto fazer semelhante coisa; no entanto, como fiquei a saber depois, discutiam quando estavam sozinhos para que nós não soubéssemos e parecessem um casal feliz. Naquele dia tinha-lhes dito que iria a uma festa e que voltaria tarde; só que a festa era tão chunga que me vim embora depressa. As minhas irmãs não estavam em casa. Porque é que tinha de voltar para casa?... A minha ruína começou então…
Atrás da porta do meu quarto ouvia os que diziam; falavam de coisas que nunca tinha ouvido: parecia que a minha mãe desconfiava que o pai a andava a trair; ele por sua vez dizia que não e que aquela discussão era ridícula. Falaram de coisas do passado e fiquei a saber que a minha mãe não era tão ingénua como fazia crer; o seu passado encontrava-se cheio de mentiras. O meu pai não era nenhum homem civilizado como eu o imaginava; era alguém que andava por aqui a fazer uns biscates para arranjar algum dinheiro; chegou mesmo a matar numa época em que a nossa terra andava num caos.
Ouvia tudo…
Consegues imaginar o quanto sofria… Claro que não; a tua vida é mais simples, ou muito mais complicada que a minha não é assim que se diz?
Foi com lágrimas que comecei…
Foi ao som do meu choro, ouvindo os meus pais gritando, olhando para aquele pedaço que não tinha deitado fora, que o fixei e me enchi de pena porque iria começar…
Foi com o sabor amargo da tristeza que peguei na seringa e mergulhei no mais fundo oceano que existe… a perdição…
Caminhei até ao material contando cada como os últimos da minha inocência, como se fosse morrer; o que na verdade aconteceu… Não mais consegui ouvir os sons dos pássaros e das florestas, não mais consegui pegar na minha viola para tocar qualquer coisa de jeito… MORRI…
Não sei porque me querem que continue a viver; porque é que querem um monstro ambulante que nada mais sabe fazer que é arranjar dinheiro (sabe-se lá de que maneiras), comprar certos produtos e consumi-los.
No dia seguinte não me conseguia mexer; tinha os músculos completamente bloqueados mas no meu íntimo ainda sentia pena… uma pena de mim… o último vestígio daquilo que era.
Não sei por onde andei. Sei que estava na maior… Aliás, revelando como nos sentimos os sermos tocados é algo que é inexplicável… Sei que estava na maior, apesar de derramar ainda algumas lágrimas de início… Não sabia porquê…
Durante a noite senti-me bem.
O pior… foi depois…
Quando acordei pelo azucrinar aos meus ouvidos de um barulho matinal daqueles que tiram o sono a qualquer um e que só aparecem durante as horas mais inoportunas não me mexia…
Não sabia porquê…
Queria mexer-me e não conseguia; o corpo doía-me todo…
As minhas mãos foram a primeira coisa a mexer-se; quando as via ia tendo um ataque de terror pois pareciam-me cobertas de sangue; sentia como se tivesse cometido algum crime e não sabia que tinha feito… Estava num mundo novo e que nada do que me era familiar me agradava; por isso tinha de procurar sempre algo de novo; tinha de tentar algo de inovador; algo que me fizesse sentir vivo……………………………………………………………………………… …………………………………………………………………………………………
Só que caí na real… Já há muito que havia morrido… Porquê prolongar por mais tempo este estado de morbidez? Diz-me será que arranjas um argumento que me consiga demover? Será que as tuas palavras conseguem sobrepor-se àquilo que sinto agora? Será que o amor que consegue mover montanhas e derrubar paredes consegue fazer algo por um ser que não é mais amado?
Será que és mais forte que eu no estado em que me encontro?

Cartas de um suicida 1

09 de Setembro

Rasgam-se-me os olhos de ver este mundo desfazer-se… por onde quer que passe tenho sempre à minha volta ruína e destruição; mas sempre para os outros; nunca acontece comigo.
Costumam dizer que um acidente nunca acontece só aos outros. Neste momento sinto-me como se fosse um protegido pelos deuses e que não quisessem que eu morresse. Mandam-me mil e um desafios mas que têm sempre o mesmo final: eu venço e acabo por sobreviver

Cartas a um suicida 1

09 de Setembro

Porque estás tão triste? Será a tua vida tão arruinada como a minha?...
Olha para dentro…
Explora-te…
Tenta encontrar o teu mundo…
Cria o teu mundo…
Neste globo, as pessoas são feitas de ferro, ferro frio que com o tempo vai endurecendo cada vez mais e acaba por enferrujar e converter-se em pó…
Onde quer que vás serás sempre um nada, menos para ti… Tu és único para ti…

Cartas a um suicida 1

09 de Setembro

Porque estás tão triste? Será a tua vida tão arruinada como a minha?...
Olha para dentro…
Explora-te…
Tenta encontrar o teu mundo…
Cria o teu mundo…
Neste globo, as pessoas são feitas de ferro, ferro frio que com o tempo vai endurecendo cada vez mais e acaba por enferrujar e converter-se em pó…
Onde quer que vás serás sempre um nada, menos para ti… Tu és único para ti…