Sunday, October 24, 2004

O Homem que Via Morrer os Homens - Parte I

Esta é a minha história, não é uma história de que me orgulhe, aliás não tenho qualquer prazer em falar acerca de mim, para muitos não devo sequer existir. A caneta que tenho na mão vai escrevendo sobre vidro, vidro… não havia outra coisa? Tenho andado escondido e o vidro foi a única coisa que estava disponível para escrever alguns fragmentos da minha vida, mas lá iremos.
Não pretendo escrever sobre tudo o que se passou comigo, já vivi muito e não teria interesse nem eu quereria muito que soubessem de tudo o que se passou na minha vida.
Numa espécie de apresentação não direi sou quem sou e não quero que procurem, a minha identidade deve manter-se secreta a minha identidade e tenho todo o direito a querer alguma privacidade depois do que passei.
Aconteça o que acontecer, não desejarei ler o que for escrevendo sobre mim nestes vidros, por isso se faltarem alguns pormenores, desde peço desculpa mas não pretendo rever os meus escritos até porque não estou numa situação muito segura para mim neste momento e rever tudo o que pretendo escrever demoraria bastante tempo.
Eu conheci muita gente, a maior parte já morreram e outros morrerão entretanto, todos eles antes de mim. Eu ficarei a ver a morte deles. Vi morrer estrelas de cinema que conhecia, presidentes com quem trabalhei, mulheres com quem passei um tempo (em especial uma delas), vi morrer pessoas em guerras, no mar, até eu próprio matei algumas…
O meu passado é escrito para ser esquecido por mim…



Nasci no seio de uma família pobre, uma família cujos filhos eram tantos que não havia espaço para meter mais um. Foi assim que nasci, pobre e nu como toda a gente nasce; mas à minha espera não estavam presentes nem alegria, mas um simples pesar, um sentimento de tristeza por terem de fazer o que deveria ser feito: matar o filho que acabava de nascer.
Levaram-me para uma floresta e, estando eu a chorar, não tiveram coragem de cometer o infanticídio. Em vez disso abandonaram-me, deixaram-me tão só como haveria de passar o resto dos meus dias. Estaria condenado a morrer não fosse uma figura celestial ter passado perto e ter ouvido o meu choro. Pegou em mim e aconchegou-me. De seguida, vendo que estava com fome, descobriu um dos seus seios e deixou-me beber do seu leite. Não me lembro qual era o seu sabor, mas com toda a certeza deveria ser adocicado, cheio de reservas de energia, pois sem isso teria morrido.
Essa figura levou-me diante de uma casa que era ocupada por um casal que chorava dias sem conta o facto de não terem um filho, o não terem alguém que ficasse com tudo o que era deles nesse momento. Os seus dias eram amargos até chegar aquela figura, trazendo nos braços a minha pessoa ainda não completamente desenvolvida. Essa figura pediu-lhes que cuidassem dela até ao dia em que o viesse buscar; nessa altura levar-me-ia para cumprir o destino que me tinha reservado. O casal aceitou a proposta e logo tomaram o bebé nos seus braços tratando-o como filho. Educaram-me, é a única coisa que consigo dizer deles; não me recordo de mais, varreu-se-me da alma.
Um certo dia, tendo já os meus doze anos e estando a trabalhar num campo um pouco distante da minha casa, a figura divina veio ter com a minha madrasta e pediu-lhe que lhe devolvesse a criança. A minha madrasta perguntou-lhe que tipo de mãe era ela que deixou o seu filho doze anos a crescer num lar, que nunca veio ver como estaria ele ou do que precisaria e passado todo esse tempo vem buscá-lo? A figura com um ar triste afastou-se, sabia que o que dizia aquela mulher era verdade, mas se o tinha deixado com alguém deveria pelo menos velar por ele, era o que tinha feito esses doze anos. Afastou-se e, estando a uma distância da casa lançou-lhe um último olhar, não era algo que quisesse fazer, mas as circunstâncias obrigavam a isso.
Depois do dia de trabalho regressava a casa, desejoso de ver a minha mãe. Eu e o meu padrasto vínhamos conversando ainda longe de casa quando a minha madrasta apareceu a correr dizendo que ela tinha aparecido. Os olhos do meu padrasto lançavam o terror que sentia. "Quem é ela?" era o que eu apenas perguntava mas eles não queriam responder. Perante as minhas perguntas viraram os olhos e o meu pai bateu-me, nunca mo havia feito e, naquele momento senti uma grande raiva para com ele. Falavam entre com ar preocupado perguntando-se sobre o que haveriam de fazer. No seio da discussão disseram-me para ir para o quarto e não sair de lá. Eu teimava e puseram-me de castigo. Durante todo o dia ouvi-os falarem na sala com ar muito preocupado, dizendo que talvez tivessem feito o que não deveria ter feito. Eu nada compreendia.
No dia seguinte acordei e chamei pelos meus pais adoptivos só que eles não responderam. Pensei que talvez já tivessem ido para o campo. Pensei que talvez estivessem, na cozinha e não me tivessem ouvido. Por fim decidi sair do quarto. O sol já havia nascido e era estranho, o meu padrasto não me ter chamado para trabalhar ou a minha mãe para que me levantasse. Percorri suavemente a casa em busca deles e encontro-os deitados na cama. No rosto de ambos pareciam existir vestígios de terem chorado. Toquei ao de leve nos cabelos da minha madrasta e eis que a presença deles se converteu num punhado de cinzas. Chorei-os. Com as minhas lágrimas qualquer vestígio de terem existido à superfície da terra foi apagado; permaneciam apenas na minha alma como pessoas flutuantes de toda uma vida que passei.
Com as minhas lágrimas apareceu a figura que me ajudou a sobreviver. Não sabia quem era, mas algo me dizia que, de alguma forma, a conhecia. Foi então que ela me contou os fragmentos da minha história passada e me fez perder quase todas as lembranças que tinha dos meus pais adoptivos; uma decisão necessária para que não mais chorasse por eles. Revoltei-me contra ela mas ela nada fazia. Apenas me obrigou a ir com ela. Sabendo que iria esquecer parcialmente tudo o que tinha vivido e o aceitava apenas com uma pequena resignação fez-me sentir terrivelmente insensível. Havia sido a primeira vez que me sentira assim. As minhas lágrimas ainda escorriam quando fui levado para a floresta onde havia sido encontrado. Anoitecia e, pedindo ajuda à minha guardiã, reparo que ela não mais se encontrava ali. Procurava lugar para passar a noite quando uns ladrões me cercam. Tentei lutar contra eles, mas eles em pouco venceram-me. Reparando que não trazia nada, pegaram num punhal e cravaram-no no lugar do meu coração. No instante em que o punhal era empurrado contra o meu corpo, reparei que uma outra mão conduzia a mão do ladrão, era a mão da minha guardiã.


Acordei como se de um sonho fosse e reparei que, para minha alegria não estava morto. A meu lado encontrava-se aquela figura, sempre presente no início da minha vida. O seio que me havia alimentado, reparei então, encontrava-se seco e a descoberto; nunca mais havia sido coberto depois de me ter alimentado. Perguntei-lhe o que se havia passado e ela disse-me que havia feito um ritual para o qual fora preparado desde que me encontrou. Esse ritual convertia-me num ser imortal.

No momento em que recordo estas palavras digo a mim mesmo que nada de humano resta hoje em mim, que já não sou, nem nunca fui um ser humano imortal. Sou um bicho, uma coisa que fica a ver o tempo passar.

Monday, October 18, 2004

Um dia na vida de um escritor

Depois de me ter enfiado num expresso para ir a um espectáculo numa cidade que não a minha, dou-me conta que não tinha bilhete e que me arriscava seriamente a não poder entrar pois o espectáculo poderia estar esgotado. As minhas suspeitas afinal concretizam-se e apesar de estar à entrada do teatro procurando alguém que tivesse um bilhete a mais dou-me conta que afinal posso ter feito uma viagem para nada.
A minha tristeza no entanto deixa de existir a partir do momento que me deixam entrar após meia hora de espectáculo (nem toda a gente que havia comprado bilhete havia vindo). Após uma entrada algo aparatosa devido ao enorme volume que trazia de casa, deixando-o no bengaleiro, lá entro para a sala de espectáculos.
Passado o espectáculo tento ainda nesse dia arranjar forma de voltar a casa. Qual não é o meu espanto quando me dou conta que o último combóio havia partido há nada mais nada menos que quinze minutos. O desespero começa a tomar conta do meu corpo.
Por fim lá consigo ficar em casa de um familiar que por mero acaso tinha o contacto, é extremamente complicado ter o número de pessoas com quem não fale habitualmente.
Manhã seguite, 6:00 a.m., não é mentira, eu levantei-me mesmo a essa hora para ver se conseguia apanhar o primeiro combóio. Tal não acontece, uma vez que o meu caminho para a estação demorou mais que o previsto. Apanho um combóio às 8:04 de regresso à minha cidade e entro em desespero pois tinha um texto meu para entregar ainda nesse dia, tinha dormido pouco e estava sem ideias para o continuar.
Manhã, 10:00 a.m., chego à minha cidade e, sem passar por casa, sento-me em frente ao computador (não o meu pois ainda não o tenho cá) e com bastante rapidez tento acabar tudo o que fiz.
Tarde, 14:00 p.m., a primeira vez que como qualquer coisa neste dia, algo de não muito substancial, não me fosse fazer mal comer muito depois de um grande jejum.
Tarde, 17:00 p.m., entrego finalmente o meu texto. A minha alegria foi imensa e a partir de então repouse...
Em relação ao texto, devo dizer que trata de imortalidade (daí os textos que escrevi no blog acerca disso) e prometo-o colocar aqui, aos poucos (por ser um pco extenso para artigo).
até mais ver. Vou dormir

Thursday, October 07, 2004

Dois quadros deprimentes

Um homem olha de uma janela e nada vê a não ser nevoeiro. Tudo se encontra embaciado pelo terrível odor do esperma dos gajos que se vêm nos vãos das escadas do edifício que o acolhe. Não é que seja culpa dele, mas acha terrivel a ideia de morar num sítio onde sabe que entram pessoas do estilo mais creepy que pode existir. Vale a bagatela de nada que paga de renda. Nem as condições são as melhores.

Uma puta vê-se novamente na mesma rua que pára todos os dias à espera que algum carro pare para a fazer ganhar o dia. Diz que é "um trabalho fodido" mas todos os dias se vê a vender o seu corpo aos machos a troco de dinheiro. Quer arranjar um emprego mas a vida está complicada e poucos são os trabalhos que, diga-se de passagem, dão tanto dinheiro como este.
Este texto tem a ver com um outro presente no blog; no entanto este está a meu ver mais correcto e é mais sincero até para mim. Fica então a segunda edição de um texto que ainda não lhe dei nome definitivo.



Nasci no seio de uma família pobre que não queria ter mais filhos que aqueles que já tinha. Eu era apenas mais uma boca para alimentar. Foi assim que nasci, pobre e nu como toda a gente nasce; mas à minha espera não estavam presentes nem alegria, mas um simples pesar, um sentimento de tristeza por terem de fazer o que deveria ser feito: matar o filho que acabava de nascer.
Levaram-me para uma floresta e, estando eu a chorar, não tiveram coragem de cometer o infanticídio. Em vez disso abandonaram-me, deixaram-me tão só como haveria de passar o resto dos meus dias. Estaria condenado a morrer não fosse uma figura celestial ter passado perto e ter ouvido o meu choro. Pegou em mim e aconchegou-me, de seguida, vendo que estava com fome, retirou uma das suas tetas e deixou-me beber do seu leite. Não me lembro qual era o seu sabor, mas com toda a certeza deveria ser adocicado, cheio de reservas de energia, pois sem isso teria morrido.
Essa figura levou-me diante de uma casa que era ocupada por um casal que chorava dias sem conta para que tivessem um filho, mas o destino deles impediu-os de o conseguir. Os seus dias eram amargos até chegar aquela figura, trazendo nos braços a minha pessoa ainda não completamente desenvolvida. Essa figura pediu-lhes que cuidassem dela até ao dia em que o viesse buscar; nessa altura levar-me-ia para cumprir o destino que tinha reservado para mim. O casal aceitou a proposta e logo tomaram o bebé nos seus braços tratando-o como filho. Educaram-me, é a única coisa que consigo dizer deles; não me recordo de mais, varreu-se-me da alma.
Um certo dia, tendo já eu os meus doze anos e estando a trabalhar num campo um pouco distante da minha casa, a figura divina veio ter com a minha madrasta e pediu-lhe que lhe devolvessem a criança. A minha mãe perguntou-lhe que tipo de mãe era ela que deixou o seu filho doze anos a crescer num lar e o vem buscar passado todo esse tempo? A figura com um ar triste afastou-se. Sabia que aquilo havia de acontecer e estava preparada para o que deveria ser feito, apenas não o queria. Afastou-se e, estando a uma distância da casa lançou-lhe um último olhar.
Depois do dia de trabalho regresso a casa, desejoso de ver a minha mãe. Eu e o meu padrasto vínhamos conversando ainda longe de casa quando a minha madrasta vem a correr dizendo que ela tinha aparecido. Os seus olhos lançavam o terror que sentia ao meu padrasto. "Quem é ela?" era o que eu apenas perguntava mas eles não queriam responder. Perante as minhas insistes perguntas viravam os olhos e nada diziam para mim. Falavam entre com ar preocupado perguntando-se sobre o que haveriam de fazer. No seio da discussão dizem-me para ir para casa e não sair de lá. Eu teimava e puseram-me de castigo. Durante todo o dia ouvi-os falarem na sala com ar muito preocupado, dizendo que talvez tivessem feito o que não deveria ter feito. Eu nada compreendia.
No dia seguinte acordo e chamo pelos meus pais adoptivos mas eles não respondem. Pensei que talvez já tivessem ido para o campo. Pensei que talvez estivesse, na cozinha e não me tivessem ouvido. Por fim decidi sair do quarto. O sol já havia nascido e era estranho, o meu padrasto não me ter chamado para trabalhar ou a minha mãe para que me levantasse. Percorri suavemente a casa em busca deles e encontro-os deitados na cama. No rosto de ambos pareciam existir vestígios de terem chorado. Toco ao de leve nos cabelos da minha madrasta e eis que a presença deles se converte num punhado de cinzas e quando me apercebo do que aconteceu e vou para os chorar, as minhas lágrimas apagam da superfície da Terra qualquer vestígio de eles terem existido. Apenas permanecem na minha alma como pessoas flutuantes de toda uma vida que passei.
Em redor das minhas lágrimas aparece a figura que me ajudou a sobreviver. Não sabia quem era, mas algo me dizia que, de alguma forma a conhecia. é então que ela me conta os fragmentos da minha história passada e me faz perder quase toda a lembrança dos meus pais adoptivos para que não mais chorasse por eles. Revolto-me contra ela ma ela obriga-me a ir com ela. Nunca na vida me sentiria tão mal como naquele dia sei de tudo o que se passou comigo e, sabendo que iria esquecer parcialmente tudo o que tinha vivido, aceitava tudo com uma pequena resignação. As minhas lágrimas ainda escorriam quando sou levado para a floresta onde fui encontrado. Anoitecia e, pedindo ajuda à minha guardiã, reparo que ela não mais se encontra ali. Procuro um lugar para passar a noite e eis que uns ladrões me cercam. Tento lutar contra eles, mas eles em pouco vencem-me e, reparando que não trazia nada, pegam num punhal e cravam-no no lugar do meu coração. Reparo que no instante em que o punhal é empurrado para o meu corpo uma outra mão conduz a mão do ladrão, a da minha guardiã.



Acordo como de um sonho fosse e reparo que, para minha tristeza não estou morto. a meu lado encontra-se aquela figura sempre presente. O seio que me alimentou, reparo agora, encontra-se seco e a descoberto. Pergunto o que se havia passado e ela diz-me que havia feito um ritual para o qual fora preparado enquanto criança. Esse ritual convertia-me num ser imortal. O único verdadeiro humano imortal. No momento em que recordo estas palavras digo a mim mesmo que nada de humano resta hoje em mim, que já não sou, nem nunca fui o único ser humano imortal. Sou um bicho, uma coisa que fica a ver o tempo passar.
Novamente me revolto contra ela e ela nada diz. Fujo. Fujo. Fujo fujo fujo fujo fujofujofujofujo... nada mais tinha a fazer ali.
Deparo-me com a casa dos meus verdadeiros pais e com um casal à entrada. Dirijo-me até eles e, dando-se conta de que se aproximava, vêm ter comigo. Não me reconhecem. Vendo que me convidam a ficar com eles um bocado pois os filhos estavam a trabalhar, os tempos andam difíceis não é? A conversa prolongava-se e a certa altura não consigo esconder o meu profundo ódio por eles. Começam a amedrontar-se e os meus dedos cravam-se nas suas gargantas fazendo brotar veios de sangue que levam a vida destes velhos para bem longe de onde se encontravam. Em pouco chegam os meus irmãos e vendo a minha figura de raiva, com os dedos ainda a escorrer sangue e os pais mortos, pegam nas suas alfaias e dirigem-se a mim. Nada tinha a esconder, nada tinha a perder. A vida tinha-a com abundância e nada ma tiraria. Foi assim que me dirigi a eles e, apesar de me terem atingido com uma forquilha, a minha ira era mais forte que tudo isso. Tal como havia morto os meus pais, mato os meus irmãos. Terminada a chacina, aparece um cão preto que se entristece com tudo o que se havia passado. Lambe as lágrimas dos mortos e olha para mim com um ar de Tu-és-o-culpado! Não suportava aquilo... Afasto-me e o cão segue-me. Peço-lhe que se afaste. Ordeno que se afaste. Corro para me afastar dele, mas ele continua a seguir-me. Páro, no limite das minhas forças e ele vem ter comigo e lambe-me as minhas lágrimas. Não queria que ele continuasse a seguir-me e, por várias vezes tentei fugas mas ele vem sempre ter comigo, lembrando-me que matei os meus próprios pais.
Alguns dias depois de ter aceitado o facto de que este cão estava condenado a seguir-me, ando pela floresta e o meu companheiro depara-se com um odor e chama-me, indicando para que o seguisse. Vou com ele e vamos em direcção a um lugar que me parece reconhecer, parece-me familiar. A minha casa. O meu lar. Este era o meu espaço. Dirijo-me até à casa que me acolheu em criança mas assim que me aproximo ela apaga-se, como se de uma visão se tratasse. Na minha cabeça só me surge uma ideia: aquela figura celestial. Queria destruir todos os vestígios da minha vida passada.
Revolta...
Na minha cabeça começo a magicar todo o género de artifícios que conhecia e arranjava para tentar matar a presença mais nefasta na minha vida. Os meus dias são passados a conspirar contra a pessoa que havia salvo a minha vida, mas ao mesmo tempo mais ma havia roubado. A sua vida tinha que ficar nas minhas mãos. Passava os dias a conspirar contra ela. Ficava muito tempo sem comer, sem ver ninguém. Pensando apenas no único propósito da minha vida presente: matar uma entidade divina.
Não sei se ela sabia ou não da minha conspiração, a verdade é que quando apareço defronte dela, assustei-a. Havia conseguido um meio de iludir toda uma imensidade de vigilantes do mundo divino e havia-me colocado ao mesmo nível de um deus. Para mim, nessa altura poderia fazer o que quisesse a qualquer deus como se de um humano se tratasse.

Monday, October 04, 2004

fell the air...
no emotion...
no sense of purity,
no sense...

I could feel all the hands
I could breath all the sounds
I could do anything..
If I believe.

A ver... Intacto

Tenho aqui ao meu lado um Dvd que saiu com a Premiere e que consta de um filme excelente e brilhantemente bem conseguido. Trata-se de Intacto de Juan Carlos Fresnadillo, um triller em torno de quatro personagens que aquilo que as une é o facto de terem sorte, uma sorte que é testada continuamente para derrotar o Deus da sorte que é um homem que sobreviveu ao Holocausto e gere um casino.
Este filme trata essencialmente de sorte, onde para além do Deus da sorte conta com a participação de uma mulher polícia que sobreviveu a um acidente de viação, um ladrão que sobreviveu a um acidente de avião e um homem que sobreviveu a um terramoto. Entre duelos para ver quem é mais sortudo, muitos ficam pelo caminho, ansiando que a sua sorte volte, ou morrendo, como é mais comum.
Sendo este um bom filme, venceu o prémio de melhor filme no Fantasporto 2003 entre outros