Friday, July 15, 2005

Devo confessar que não esperava encontrar ninguém a esta hora. As horas que passam não deixam marcas na minha cara. Os dias são uma constante imagem refletida de que sou imortal

Monday, July 11, 2005

Balada de um imortal

Sempre em constante andamento a minha vida surge por entre estas árvores. O negros que cantam em torno de um homem morto clamam para que a sua alma repouse em paz.
Nesta enconta isolada paro para ver as pessoas, as coisas, as paisagens. O ambiente é frio e isolado do mundo. A minha imortalidade atormenta cada dia desta minha constante vida. Vejo as pessoas na miséria. Elas lavam-se na suja água que vem das cidades, não sabem que hão-de morrer de alguma doença. As pancadas do sino da igreja bate em sinal de meio-dia. Apercebo-me de que está calor e devo repousar na sombra de alguma árvore; as árvores no entanto estão todas despidas, não existem folhas. Estão mortas. Pergunto que aconteceu naquele lugar e apenas me dizem que fora amaldiçoado. Todas as noite procissões de pessoas fazem romarias até um pequeno altar que têm no cimo da montanha e fazem orações e missas negras para que todos os deuses e mais alguns lhes devolvam a honra de viver dignamente.
As pessoas são sujas, os campos não produzem nada, as pessoas vivem no limite da vida e eu, apesar de ver neles um nojo do citadino que em mim existe, enterneço-me. Pouso as minhas coisas na sombra de um rochedo. A pedra está quente mas mesmo assim dá para repousar à sombra. Os corvos falam mas não se vêm a voar.
Uma mulher passa apressadamente para uma pequena gruta próxima do local onde estou. Averigua se alguém a vê. Apressa-se a entrar. Sigo-a. Nessa caverna existem tochas. Várias pessoas estão lá fazendo ritos demoníacos enquanto uma música infernal vibra de tambores enormes. Os seres que habitam aquelas cavernas parecem cegos. Não devem ver a luz há vários dias. Apercebo-me de que a sua pele está manchada. A rapariga encaminha-se para o centro do que parece uma praça. Traz várias sacas com ela. Ninguém se aproxima. Ela deixa as coisas na praça e apressa-se a sair dali passando a poucos metros de mim.
As pessoas que ali se encontram formam uma sociedade de homens e mulheres que sofre de uma doença. Os constantes bateres de tambores são dos cânticos das pessoas que vão morrendo.
Saio da gruta e percorro a aldeia. Entre várias portas fechadas aparece uma que me acolhe. Entro. Naquela casa pouco se come. Por vezes desencanta-se uma batata ou algo mais; nem para visitas fazem comer, não dá para isso. Para estas pessoas o verão é a pior alturo do ano, os celeiros raramente ficam cheios e as ervas ruins encheram tudo. Há desânimo na cara das pessoas, fome na cara das crinaças.
A minha balada vai seguindo de perto tudo isto sem nada dizer. Choraria se ainda tivesse lágrimas para isso...
Na rua um homem põe-se à bulha com um outro por causa de três bagos de arroz que diz lhe ter tirado. Nesta terra não existe bondade, as pessoas são sovinas e têm razões para isso. Vive-se duramente aqui.

Friday, July 01, 2005

lonely
apenas ouço o sabor dele na minha vóz
lonely
é assim que me sinto
sem ele estou assim perdido, sem tempo nem espaço.

Deixai-me voltar...