rastejando por entre dois móveis, uma barata desloca-se silenciosamente. Os donos da casa sairam para umas férias e durante esse tempo tem todo o espaço apenas para ela. Cada dia que passa vai-se sentindo cada vez mais sozinha e, motivada pela solidão convida outrasd baratas vizinhas para se virem juntar numa festa de vários dias.
Convidou amigos e amigas para tomarem uns bons copos e comerem mais um pouco daquela casa que dizia ser altamente deliciosa. O convite passou de mãos em mãos e estendeu-se a todos os cantos daquela cidade e em pouco tempo os insectos foram todos chegando àquela casa por todos os meios: canos de esgoto, pelo ar, à boleia em carros,...
A festa começou assim que começaram a chegar convidados. Havia música que de alguma forma tinha sido posta a tocar, havia champanhe e outras bebidas que enchiam os estômagos de bebedeira e de doideira.
Uma qualquer barata um pouco mais espontânea lembrou-se de beijar uma outra. Quem foram os dois primeiros a beijar-se é complicado de dizer. A festa logo a seguir ficou uma mistura de corpos em poses mais ou menos eróticas fazendo passar as suas seis patas pelos órgãos sexuais de outras baratas numa autêntica orgia insectívora.
Toda a gente comeu algum outro ser semelhante. Não havia distinções entre pessoas, era tudo por puro prazer. Ninguém conhecia ninguém e todos se conheciam. Os olhos estavam cejos pelos efeito do álcool.
Rastejavam por todo o lado como se insectos fossem. Apertavam os pénis e apalpavam os seios a malta toda ganzada. A festa tinha acabado e ninguém queria ir para casa. Dentro em pouco os pais de um dos gajos haviam de vir e ninguém se dignava a mecher-se.
Uma rapariga levanta-se e vai até à cozinha pegar mais uma lata de cerveja e começa a bebê-la. Vem ter um gajo com ela e lava-a a deixar escorrar o líquido pelo seu corpo. Estava gelada. E por estar tão gelada como estava, soube-lhe muito bem o beijo que a seguir deram um ao outro. Estavam tão enrolados que pareciam uma lapa numa rocha. Posaram em cima da mesa da cozinha e enlaçaram-se ainda mais. A certa altura a mesa não aguentou e partiu-se uma perna e eles cairam no chão.
Os donos da casa haviam chegado e a festa não tinha acabado por inteiro. Ao verem o enorme enxame de baratas a dona gritou o mais que pôde e o homem foi de imediato chamar o extreminador de pragas.
Houve algumas dessas baratas que forma mortas por sapatadas dos donos e escorraçadas de casa. Em poucos dias ninguém diria a ninguém que havia ocorrido uma festa naquele lugar. A pobre barata que ocupava aquela casa escondeu-se num canto e durante bastante tempo não saíu de lá. Estava envergonhada demais...
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