Sinto-me dentro de um enorme casulo. Um casulo vermelho cheio de um estranho líquido avermelhado com sabor doce e textura de seda. Os meus olhos não os consigo abrir, mas a minha pele tem todos os seus poros abertos a receber os estímulos do exterior. Os meus ouvidos já sentem os sons do exterior e a minha boca começa lentamente e abrir.
Todos os dias uma estranha criatura vem ter connosco e coloca no líquido alimento tanto para mim como para outros casulos que estão próximos. É devido a eles que existimos, resgatáram-nos da atmosfera viciada do nosso planeta e conserváram-nos nestes casulos para mais tarde renascermos, ou pelo menos é isso que espero.
Um dia abro os olhos e nesse momento uma estranha criatura vem ter comigo e retira o casulo do sítio onde estava colocado e leva-me para uma outra sala. Nessa sala posso ver que existem outros casulos cujas pessoas têm todas os olhos abertos, esperando o dia de nascer. O dia seguinte é o dia do meu nascimento.
O casulo rasga-se e o líquido que me mantinha vivo vai escorrendo para uma grelha no chão. Os outros que estavam comigo alguns ainda não haviam nascido, outros já e mantinham-se no chão rebolando e arrastando, os seus membros estavam demasiado fracos para se conseguirem manterem em pé, pareciam animais.
Eu saio do meu casulo e deixo-me escorregar até o chão. Cá fora a paisagem parece desoladora, vários corpos acumulados, alguns vivos, outros mortos mas que não foram retirados apodrecem deixando um rasto de nojo na minha boca. O líquido dos casulos escorria para um ralo no chão mas o chão mantinha-se molhado e pegajoso.
Carrego o meu peso até uma saída, mas os seres que nos salvaram mantêm uma vigilância apertada e qualquer tentativa de fuga é imediatamente repelida quer por choques eléctricos, quer por criaturas que nos dão pancada. O único remédio é aceitar a condição de prisioneiros e deixarmo-nos ficar até nos levarem para outro lugar.
Ao terceiro dia estamos completamente esfomeados, parecia que aqueles seres queriam fazer-nos nascer para nos matar à fome. Como não tínhamos nada para fazer tentávamos recordar a forma como falávamos uns com os outros até que as luzes da nossa cela se apagassem e fossemos para as nossas horas de descanso.
Durante a noite o sítio onde estávamos poderia ser perigoso, por mais de uma vez soube de casos de pessoas que foram violadas, ninguém se acusava e o perigo aumentava à medida que o nosso apetite sexual aumentava. Queríamos voltar a ter sexo e toda a gente fazia o mesmo, violar alguém que dormia. Nunca haviam luzes para testemunhar contra alguém.
No quarto dia deixaram-nos sair da cela e fomos conduzidos a uma fábrica onde vários humanos trabalhavam. O esforço que faziam era tremendo mas não nos poderiámos queixar. Os dias não passavam sem que algum de nós fosse levado para uma sala escura onde faziam as coisas mais ediondas e voltavam a libertar os condenados.
Houve um estranho dia em que um dos meus colegas acordou com uma grande vontade de vomitar. Qualquer canto por onde se virasse deixava cair um bocado de bilis amarga que vinha à boca. Ao final do dia tinha a pele estranhamente áspera e febre enorme. Não durmi nada durante a noite preocupado com a sua saúde.
Os nossos carrascos sabiam tudo o que se passava e foi por isso que durante a noite levaram o meu colega embora e nada mais soube dele. Diziam que as pessoas eram levadas para serem executadas, eu achava que era algo mais, se bem que não imaginava o que quer quer fizessem com os enfermos.
Um dia sou levado para a sala negra e entre várias chicotadas, uma agulha acerta-me nas costas, penetrando até ao centro da coluna onde largou o seu conteúdo. A dor que aquilo me provocou foi tremenda, não me conseguia mecher nem sequer gritar. Tinha o corpo à vontade dos meus captores e eles colocaram no interior do meu corpo algo.
Sou de imediato levado para uma outra sala onde me deixam numa jaula com comida e um lugar miserável para libertar as minhas fezes. Estava sozinho na minha cela e isso foi para mim, pelo menos inicialmente, um grande alívio, não mais seria violado ou maltratado pelos meus colegas, também eles prisioneiro (mas não o sabiam).
Passados uns dias acordo e grito de um enorme terror quando vejo o meu corpo tranformado numa enorme vespa. EU TENHO APIFOBIA!!!!! Não ligaram aos meus lamentos e fui-me mutilando cada dia que passava. Todos os dias era apaziguado por algum guarda que me atordoava e passava o resto do dia deitado no chão com dores.
Devido às minhas constantes tentativas de suicídio resolveram, de um modo bastante grosseiro amarrar-me de forma a que não me pudesse mecher. Era como se tivesse um colete de forças, não me mechia para nada. Passava dias de grande tédio esperando que me dissessem para que me queriam. A minha única esperança era morrer de fome.
Ao verem que estava numa condição demasiado fraca para o que quer que fosse resolvem mandar-me para uma espécie de sucata de seres humanos onde colocavam toda a gente que não lhes sevia. Não lhes davam alimento e esperavam que morressem a seu tempo. Foi neste lugar que vi a minha liberdade mesmo antes de dar o último suspiro e morrer...
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