Saturday, March 12, 2005

Acendi o candeeiro da minha mesa de cabeceira e ele já lá estava. Os seus olhos brilhavam no meio do quarto junto ao sítio onde a minha cabeça se encostava à minha almofada. Os seus lábios húmidos suspiravam pelo meu toque mas eu mantinha-me completamente estático. A sua presença junto a mim era maléfica e nada mais queria que a luz se voltasse a apagar e ele desaparecesse na bruma. Fecho firmemente os olhos e nada mais desejo que ele se vá embora.
Por momentos os meus lábios ficam gelados com o aproximar dos seus lábios aos meus. Espero mais um pouco, não me consigo sequer mecher... Os meus músculos como que estão ao comando dele... As suas mãos pendem os meus pulsos e arrastam-nos por um longo túnel com luz vermelha. Os seus olhos estão pálidos, os seus lábios ainda mais frios e quando me pousa e se prepara para me possuir, os seus joelhos dobram-se e cai em cima de mim morto. Do seu corpo liberta-se um gás muito ténue que se espalha à minha volta.
A vermelha luz do túnel continua a incomodar-me, não sei onde estou. Os meus olhos fraquejam e ainda tenho nos meus braços um corpo morto.
A luz vermelha lanteja, como se a lâmpada estivesse para se fundir e continuo sem saber o que fazer... olho em volta mas não existe ninguém. Deito-me no frio chão e fecho os olhos.

Quando acordo ainda sinto a luz vermelha a piscar. É com este meu acordar que ouço um estranho ruído e me apercebo de que estou num qualquer veículo que começa o seu movimento. Como se fosse uma locomotiva, os ruídos mecânicos fazem-se sentir compassadamente e eu continuo estático. Procuro uma saída mas nada encontro. Mantenho-me naquele expresso à espera que ele pare em alguma paragem e me deixe sair...

2 comments:

AFSC said...

UAU parabéns pelo texto, fiquei sem palavras adorei.
Abraço migo.

AFSC said...
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