Voar...
Todo o meu ser se invade de uma sensação estranha quando em dias como este pego no meu corpo e arranco-o à monotonia. Não é complicado dizer-lhe para ir fazer exercício físico; até é uma coisa que ele gosta, mas por vezes não calha a usá-lo um pouco mais.
Por entre um lençol pendurado no tecto, o meu corpo ondula e faz o que quer, brincando ao som de uma música qualquer. A minha mente mantém-se desperta, aliás não posso cair ou arrisco-me a ter aquela temível sensação que é a dor.
A dor retira-me do alto, acaba com o meu sonho de liberdade que não consigo alcançar da minha triste sina. Pudera eu viver permanentemente nesse mundo vertical, onde tudo tem ainda beleza e nada mais pediria. Toda a minha liberdade é derramada naquele instante, todo o meu ser explode em magia e se alarga para além do físico, psicológico, para além de tudo o que imagino.
Mesmo com o sonho a cumprir, o tremendo esforço que faço leva-me a regressar à realidade e, enquanto ouço ainda uma música a terminar, vou descendo suavemente até pousar no solo. Até regressar àquela sala preta onde me encontro e voltar de seguida para o mundo real. Parece impressionante como todo o eu se sente desprotegido perante o choque com a realidade.
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1 comment:
nem sempre... é a inocência que continua e nós
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