Wednesday, November 17, 2004

Contactos

Hoje ligo para várias pessoas e os contactos que faço são todos impessoais. As linhas de telefone, os mail e conversas pela internet nada mais são que uma abstracção do verdadeiro prazer de se conversar com gente. Aquele pequeno prazer que é uma pessoa sentar-se numa cadeira num sítio qualquer com um café em cima da mesa e com uma ou mais pessoas à sua volta falando connosco vem sendo substituído pelo vício de andar com um portátil atrás e a tomarmos o nosso café sozinhos.
Não há nada que me encha mais o ser que estar falando com mais pessoas cara a cara, mesmo sendo inverso, a conversa faz-nos esquecer o frio e aconchega-nos a alma. O roteiro das conversas é variado e somos obrigados a meter mais conversa para quebrar um silêncio que se instala.
Imaginem o que seria (e não estaremos muito longe disso) se no mundo todas as conversas fossem feitas por computador. Uma pessoa não coviviria mais com outras e seria obrigada a andar com um computador atrás até mesmo para pedir o café. O cenário, apesar de decadente, mostra-nos o quão estamos dependentes do contacto com as outras pessoas, quando conhecemos alguém por um meio de comunicação e gostamos de falar com essa pessoa, temos a tendêcia para querermos estar ao vivo e a cores. Mesmo com as pessoas que conhecemos e falamos por net, não é a mesma coisa. As saudades nunca são apagadas por um mail.

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