Cada dia que passa é mais um dia para a morte. Não sei onde ouvi isto mas cada vez me importo menos com o que as pessoas vão dizendo; a vida é para ser vivida, não para ser esquecida.
Lembro-me de ontem ter lido qualquer coisa acerca do esquecimento da nossa nação por pessoas que foram importantes para a construção da nossa história, no dia de Camões quem comemora a sua morte... Morreu pobre e no esquecimento e no esquecimento continuará. Para nós ele é como uma sombra, um fantasma que no lembra de umpassado remoto, de tempos de glória que so ele soube elevar.
Lembro-me também de ontem ter ouvido alguém dizer que era conhecido a nível nacional, mas se fosse tão antigo como a torre dos Clérigos possivelmente seria conhecido a nível mundial.
As pessoas passam por nós e mandam-nos falas, o mundo é preenchido de sons, de pessoas, de objectos. Mas no fundo de nós mesmos algo nos diz para passarmos além da vulgaridade da nossa condição de mortais, sermos elevados até que reconheçamo nosso mérito. Cada dia que passa mais nos vamos sentindo pressionados por toda a sociedade que nos rodeia, por todas as regras que nos pomos a aceitar e vamos vivendo como se costuma dizer, uma vida normal. Mas as coisas não são bem assim, todos os dias nos vamos cruzando com pessoas que achamos estranhas e que por vezes preferimos não olhar. Eu tenho uma certa ternura em relação a essas pessoas, para mim elas são como uns tristes malmequeres que crescem num relvado mas que por serem diferentes deverão ser cortados.
Todas as pessoas que me cercam dizem que são normais. Eu pergunto o que é ser normal? Eu por vezes não me considero normal, perco-me por direcções alternativas, escolho formas de vida que a maioria das pessoas consideraria anormal, mas é sempre uma vida, uma escolha de vida que as pessoas devem respeitar.
Uma flor reluz na entrada do antro da minha vida. Não é bonita mas é sempre uma flor, um milagre da natureza. Depois da entrada segue-se uma enorme sala. Nada mais se vê que a flor à entrada sorrindo para nós. Não nos diz nada, é tão egoísta como a rosa do Princepezinho de Saint-Exupérie. Entra-se e so se vêm tristezas; as alegrias são ocultadas pela mácula enorme da mancha da tristeza.
SÓ..............................................
A vida corre o seu caminho mas nós vamo-nos perdendo em memórias, imagens e recordações que preferiríamos esquecer ou das quais não nos orgulhamos, mas das quais não nos poderemos esquecer nunca mais. o peso de tudo isto começa a fazer ceder a caverna da minha vida e, por vezes esse tecto tende a ceder ao peso de tudo e ameaçar ceder.
Várias vezes caminhei por essa caverna e um pedaço desse tecto me caíu em cima da cabeça.
Confuso.....................................
Algumas vezes sinto que as minhas memórias não são verdadeiras, antes são uma espécie de mistura de passado que memeteram na cabeça; algo queesqueci foi o meu verdadeiro passado, uma imagem indistinta passa-me à frente e não a reconheço. Sei que deveria conhecer pois teve algo a ver comigo so que o tempo foi alterando, tirando, mudando as minhas memórias como se no final fosse uma pessoa com amnésia cheia de memórias que não sabe bem se serão dela ou de outras pessoas.
É desta forma que me vou tornando mais uma pessoa deste mundo... um mundo que mais valia a pena esquecer e começar de novo.
É desta forma que vou caindo no esquecimento, que a minha vida ganha sentido para mim mas que será esquecida de todos.
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1 comment:
Olá amigo, adorei o que escreves-te por ter um lado sentimental que transparece nas tuas palavras, tudo o que é dito ou vindo das profundesas da nossa alma dá um toque brilhante a tudo o que fazemos.
Tens razão sim, um dia todos nós cairemos no esquecimento,eu sei disso, tu sabes disso e acho que todos nós o sabemos, por exemplo depois da morte, ficamos na mente e no coração dos "nossos" mas com o passar do tempo, já quase ninguém se irá lembrar da nossa pequena passagem por esta vida.
Por ser pequena, é que acho que por mais impecilhos que tenha temos que a aproveitar ao máximo e saber saborear cada fase da vida por mais que nos custe se a vivermos com um sorriso torna-se talvez, tudo mais fácil.
Abraço migo.
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