Monday, July 05, 2004

Primeiro capítulo do meu livro

I – Revelação

Olhavam-se… Não sabiam porque estavam ali. O desconhecido assustava-os. A presença de outras pessoas naquele lugar deixava-os confusos. O calor de outros corpos incomodava-os. Sentiam que haveria uma razão para ali se encontrarem, uma razão que todos desconheciam.
Era uma sala de um antigo mosteiro abandonado feita de paredes fortes e frias. A solidão era denunciada pela ausência de adornos. Alguns deles nunca chegaram a existir; outros existiram mas haviam sido roubados, os restantes haviam sido queimados pelo incêndio que esgotara a abadia e cujas cinzas ainda permaneciam misturadas com o pó do tempo. De uma das paredes sobressaía um bloco de pedra que em tempos havia sido um altar, mas agora era esquecido pelo mundo Estavam numa sala esquecida, num mosteiro esquecido, numa terra esquecida. A lua radiava o céu nocturno preenchido por várias nuvens; as estrelas pouco brilhavam.
Pela porta entrou uma pessoa vestida com roupas brancas semelhantes às dos antigos druidas. Não se lhe conseguia ver o rosto. A sua forma de andar era majestosa e a sua confiança grande. A sua vinda incomodou-os ainda mais. O seu andar era tão leve que parecia quase flutuar.
Pegou num corno que trazia à cintura e pousou-o no altar. Fez uma pequena vénia e foi até ao claustro que ficava ao lado da sala. Aí colheu umas gotas da chuva que agora começava a cair. Apanhou um rato e dirigiu-se ao altar da sala.
Torceu o pescoço do rato diante da ara e com uma foice que trazia à cintura fez-lhe um golpe e espalhou as suas vísceras pelo altar. Derramou o sangue do rato na pedra do altar e águas sobre as vísceras. Destapou o corno e verteu um pouco do seu conteúdo sobre a cabeça de cada um. Fez um golpe com a foice na palma da mão deixando correr um fio de sangue. Deitou sobre ele um líquido viscoso. Foi ao pé de cada um e fez um corte na palma da mão de cada um deles e juntou as palmas formando um círculo de sangue entre os doze Eleito e ele próprio.
Começava a clarear e o homem afastou-se. Eles ficaram estáticos; o que é que se tinha passado? Quem era aquele homem? Precisavam de respostas e a única pessoa que saberia algo tinha-se sumido nas brumas do nevoeiro matinal.

O Sol nascia agora. A abadia despertava agora do seu sono profundo e deixava soltar pelas paredes sons de antigos coros, de antigos rituais, de antigos monges que por ali ainda se mantinham num estado de semi-vida, esperando ansiosamente o dia em que seriam salvos e libertos do tormento da vida. Os fantasmas percorriam a abadia como se ainda fossem vivo, mas os vivos não os viam. Por vezes ouviam-nos cantar e falar dos seus tormento chorando, gritando, lançando lamentos e lamúrias pelas paredes do local de onde não podiam sair. Havia sido assim que se tinham criado as primeiras lendas acerca da abadia, dizendo-a assombrada pelos frades que ainda corriam os hereges daquele local. Haviam ainda outras lendas referentes a abades cujo medo e desespero de ouvir aquelas vozes os tinha levado a abandonarem o local de refúgio ou a enlouquecerem. A aldeia que se encontrava próxima também foi desertada; já nada restava naquele recanto do mundo.
Ao explorarem o local onde se encontravam, os doze repararam numa frase esculpida numa das pedras do claustro onde dizia: “Sobre estas linhas se lerá a verdade; uma verdade que espero não mais voltar a acontecer. Muitas mortes já eu vi e a razão foi só uma: soberba.” A frase chamou a atenção de um deles que decidiu começar a procurar o livro. O livro tinha o nome de Os doze do Zodíaco.
O Sol revelou-se de vez depois dos primeiros raios da aurora, os pássaros já há muito que cantavam. Com a vinda do Sol um dos doze olhou fixamente para ele e começou a gritar. A sua pele começou a ficar muito áspera e a encolher. A certa altura a pele estava tão pequena que começava a rasgar e a deitar sangue. Os outros onze acorreram assustados, mas nada podiam fazer. Foi com todos à sua volta que ele levou as mãos à nuca e a partir de uma fenda na pele rasgou-a mais e removeu-a do seu corpo. A pele estava toda caída no chão como se fosse um velho pano todo rasgado. Em cima dela uma criatura semelhante a um réptil coberto de um líquido viscoso tornava-se cada vez maior. Era um basilisco com o anormal tamanho de um homem e que havia sido encolhido para ser posto na pele de um ser humano. Quem havia feito isto?
– Surpreendidos?... – Sibilou ele.
Deu um grande salto para trás e afastou-se dos onze. Estes ficaram petrificados. Agora estavam sozinhos. Sentiam isso. Não sentiam mais ninguém à sua volta. Estavam assustados. Olharam-se com atenção pela primeira vez. Exploraram com o olhar o corpo de cada um dos outros dez que se encontrava perto. Pareciam corpos semelhantes ao de cada um; também eles estavam assustados e isso transparecia. Ninguém sabia o que estava ali a fazer. Sabiam apenas que tinham de ali estar.
Quem és tu?
Eu sou David (Aquário)
Eu sou Bestla (Virgem)
Eu sou Yanowick (Touro)
Eu sou Djoser (Sagitário)
Eu sou Dalma (Balança)
Eu sou Dereck (Capricórnio)
Eu sou Rúbio (Carneiro)
Eu sou StarLee (Gémeos)
Eu sou Andrea (Peixes)
Eu sou Gothan (Escorpião)
Eu sou Veuloe (Leão)
Onde estaria o caranguejo?

3 comments:

Carla Veríssimo said...

i am Veloue

Carla Veríssimo said...

... I'm Veuloe...

Carla Veríssimo said...

Devias manter os textos que tinhas no Blog antigo. E desde já bem-vindo a mundo do Blogspot