Longe dali, numa gruta ouvia-se um murmúrio; um grupo de pessoas avançava em direcção àquela gruta a que davam o nome de Cova do Inferno. Eram cerca de 1500 pessoas que se moviam em silêncio; um silêncio que após vários séculos havia de ser quebrado. Apelidavam-se Negros. Derivavam de um grupo de pessoas que eram os Assassinos Negros e que a sua história foi parcialmente apagada. Hoje eles não queriam ser lembrados desses tempos em que tinham de matara pessoas para conseguirem os seus fins. Tempos em que eram também perseguidos e que quase foram extintos devido aos seus métodos demasiado violentos de agir.
Entraram todos para uma enorme galeria de forma redonda na qual existia um bloco de pedra que serviria de palco. Por esse local entraram alguns Negros que iriam presidir aquela reunião. Um deles trazia um livro bastante antigo que revelou à audiência, a qual murmurou em coro Abadere, uma forma de aceitação do livro. Um dos anciãos revelou a sua mensagem:
“Neste ano que corre, 1557 da era de Nosso Senhor Jesus Cristo, eu, um solitário, procuro manter em mim viva uma chama, uma chama de poder que quase me levou a ser condenado por actos de bruxaria. Devido a esse poder poderia ter sido queimado e esfolado; no entanto a minha força de vontade levou-me a aceitar o meu destino e a evitar ser descoberto. Procurei pelo mundo fora a origem deste poder, mas nunca encontrei uma resposta; apenas sei que tem uma relação directa com os Doze Eleitos e que estes não deixam de assombrar os meus dias cada vez que penso que um dia voltarão das sombras para me retirar o que me foi dado.
“O meu poder foi-me dado por meu pai pouco antes da sua morte e só agora que me encontro à beira da cova me apercebo daquilo que o meu pai me havia dito. Disse-me para que procurasse os Negros; mas eu deixei-me ir pelos tempos e a verdade é que neste momento vejo que nem um só encontrei. Disse-me também que um dia o Sol nos iria juntar para que todos fossemos um só corpo, mas os dias nascem sempre iguais. Onde estão os meus colegas de armas?
“Procurei saber mais acerca de quem eram os Negros. Percorri os locai mais ocultos que se possa imaginar, mas a minha busca foi em vão. Aprendi vários tipos de magia e, com ela, tive uma visão que me revelou que a nossa passagem é temporária. O nosso fim é juntarmo-nos; sermos o tal corpo. Quando isto acontecer as nossas aspirações de arrancarmos o poder dos Escolhidos será realizado. Esperem pelo Novo Amanhecer e os Anti-Escolhidos mostrar-se-ão...”
O silêncio ecoou na caverna. O ancião fechou solenemente o livro e murmurou Amént-Atep-Huson-Dahr. Todos os Negros repetiram as mesmas palavras. Nesse instante foram trazidas para a galeria doze estátuas em barro de forma semelhante à humana. Do tecto da galeria vieram várias aranhas que começaram a tecer casulos em torno das estátuas. Quando terminaram apareceram várias lagartas vindas do chão que roeram parte do casulo formando um túnel até à zona do umbigo, tecendo à sua volta um cordão umbilical. Pouco tempo depois apareceram várias abelhas vindas da entrada da gruta trazendo gotas de mel que depositaram dentro dos casulos. Com as abelhas vieram mosquitos que trouxeram gotas de sangue que fizeram passar pelo cordão umbilical, enchendo as estátuas desse líquido vital.
Os Vários Negros maravilharam-se com a criação dos Doze Anti-Eleitos. Dentro em poucos dias viria o Novo Amanhecer que anunciava o escritor daquelas professias. Os casulos haviam sido levados para um compartimento onde várias formigas trabalhariam para cuidarem daqueles seres que manteriam os doze Anti em estado de semi-vida. Ainda não estavam preparados para “nascerem”.
Vindo da superfície caminhava pesadamente o basilisco em direcção aos seus senhores. A assembleia já havia terminado. Os seus superiores estavam numa outra galeria da gruta discutindo pormenores em relação ao trabalho a ser realizado e quais os métodos.
- Desorientei-os…
- Já sabem quem tu és?
- Não… Eles não sabem de nada do que se passa. Parece que o poder dos Escolhidos não é passado da mesma forma que o vosso.
Um outro ancião dirigiu-se para eles a fim de esclarecer o motivo da vinda daquela personagem.
- Que faz esta criatura aqui? Não deveríamos ser interrompidos por almas menores.
- Esta criatura é um servo meu que tem andado a cumprir uma missão que interessa a toda a comunidade. Pelo bem dos Negros ele raptou um dos Escolhidos e tem-no guardado. Para além disso fez uma cópia da sua pele e tomou o seu lugar na Grande Reunião.
- Ontem veio ter com eles um homem que os ungiu.
A sua voz estridente começou a falhar-lhe e a sua boca a doer. Os seus lábios começaram a corroer-se como se estivessem a ser queimados por ácido. Um dos anciãos estendeu a mão na sua boca murmurando Assep-Amep-Tépirin. E logo a sua boca se começou a apagar.
- Que fizeste?
- Não podemos utilizar mais a voz deste servo enquanto este encantamento durar.
- Mas temos de obter informações acerca dos Escolhido...
- Nem mais uma palavra sairá da sua boca. Esta criatura foi submetida a um encantamento de Destino Traçado. O seu destino foi calar-se para sempre acerca da Grande Reunião.
- E as informações?
- Obtê-las-emos. Todos encantamentos têm os seus pontos fracos, pelos quais se pode pegar para se contornar um problema. Se ele não pode falar, que vejamos a sua memória e saibamos o que se passou no Solestício.
Pesquisaram a memória do basilisco até descobrirem o que queriam. Depois largaram as memórias daquele repugnante ser. O seu corpo caiu no chão libertando fumos.
- Este ser é-nos inútil agora. Alimentai-vos.
Do tecto da gruta lançaram voo vários morcegos que se espalharam pela sala. Dirigiam o seu voo para o cadáver e começaram a sua refeição.
- Tudo o que vem da terra, à terra tornará.
- Nunca pensei que tivéssemos estes seres aqui.
- Cuidado. Estas criaturas não gostam de ser incomodadas.
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